História do México: curiosidades de Tenochtitlan a San Miguel de Allende
Qual é a história por trás do México que se visita hoje? Ela começa em Teotihuacan, uma das maiores cidades antigas das Américas, segue com a fundação de México-Tenochtitlan em 1325 e chega à guerra de independência, que em setembro de 1810 saiu de Dolores e seguiu para Atotonilco e San Miguel el Grande. Em 2026, essa história voltou a ser notícia: o Instituto Nacional de Antropologia e História do México (INAH) apresentou novas descobertas no Templo Mayor, e San Miguel de Allende completou 200 anos como cidade.
Teotihuacan, o lugar onde os deuses foram criados
Teotihuacan fica a cerca de 50 km da Cidade do México e foi construída entre os séculos I e VII. No auge, ocupava 36 km² e tinha pelo menos 25 mil habitantes, segundo a UNESCO, que a inscreveu como Patrimônio Mundial em 1987. A Pirâmide do Sol mede 225 por 222 metros na base e 75 metros de altura, e divide a Avenida dos Mortos com a Pirâmide da Lua e o Templo de Quetzalcóatl.

Curiosidade histórica: o nome Teotihuacan foi dado pelos astecas e significa "o lugar onde os deuses foram criados". A cidade foi destruída por um incêndio e abandonada no século VII, muito antes de os mexicas se instalarem no lago de Texcoco, no século XIV. Mesmo em ruínas, continuou sagrada: textos do século XVI registram que Moctezuma fazia sacrifícios no local a cada 20 dias.
Outra curiosidade está na própria Pirâmide do Sol. Na restauração feita entre 1905 e 1910, ela ganhou um quinto nível que, segundo a UNESCO, Leopoldo Batres reconstituiu de forma arbitrária.
Como surgiu México-Tenochtitlan, a cidade fundada sobre um lago
Os mexicas fundaram México-Tenochtitlan no ano 2 Casa, 1325 d.C., numa pequena ilha do lago de Texcoco. Segundo o INAH, 26 de julho é a data mais aceita para o sinal divino que indicou o lugar da cidade: a águia pousada sobre o nopal. No mesmo lago nasceu Tlatelolco, e as duas se tornaram cidades irmãs.
Curiosidade histórica: a águia sobre o nopal virou o Escudo Nacional do México. A cena aparece em baixo-relevo no Teocalli de la Guerra Sagrada, monólito feito por volta de 1507, no governo de Moctezuma Xocoyotzin, e exposto no Museu Nacional de Antropologia.

Para os 700 anos da fundação, o governo do México preparou o programa "Siete siglos de legado de grandeza de México-Tenochtitlan", com celebrações ao longo de julho de 2025. O INAH lembra ainda um fenômeno ligado à data: ao meio-dia de 26 de julho, na segunda passagem do sol pelo zênite, a luz cai na vertical e não forma sombra.
Os espanhóis destruíram a cidade-ilha, começaram a drenar o lago e ergueram a capital da Nova Espanha sobre as ruínas, num traçado em xadrez. Hoje, o Centro Histórico da Cidade do México reúne as ruínas de cinco templos astecas, a Catedral Metropolitana e prédios dos séculos XIX e XX, como o Palácio de Belas Artes. Com Xochimilco, o conjunto é Patrimônio Mundial desde 1987.

Curiosidade histórica: a 28 km ao sul do centro, Xochimilco guarda canais e chinampas, ilhas artificiais de cultivo no lago raso. Para a UNESCO, essa paisagem lacustre é o único testemunho do uso tradicional da terra nas lagoas da bacia do México antes da conquista espanhola.
O Templo Mayor e a descoberta de 2026
No Templo Mayor, o templo principal de Tenochtitlan, a arqueologia trouxe novidade neste ano. Em 26 de fevereiro de 2026, a equipe do Projeto Templo Mayor, dirigido pelo pesquisador Leonardo López Luján, do INAH, apresentou o estudo das oferendas 186, 187 e 189.
Somadas a três oferendas encontradas no fim dos anos 1970 e em 1991, as oferendas 186, 187 e 189 formam um conjunto de seis caixas de pedra colocadas numa mesma cerimônia, na época de Motecuhzoma Ilhuicamina, que governou entre 1440 e 1469.

As seis caixas guardavam 83 figurinhas de pedra verde no estilo Mezcala. Segundo López Luján, o governante as teria trazido como espólio de guerra de Tlaxco e Tlaxmalac, no norte do atual estado de Guerrero. Para a cerimônia, foi preciso mover com cordas, alavancas e rolos de madeira esculturas de 600 a 1.000 quilos.
Curiosidade histórica: nas três caixas estudadas agora havia mais de 4 mil conchas e caracóis, a maioria vinda das costas do Atlântico. Alguns ainda tinham o perióstraco, a película orgânica que o molusco perde pouco depois de morrer. Para a equipe, isso confirma que os mexicas transportavam os animais até a cidade, possivelmente vivos, em recipientes com água salgada. As oferendas ficarão no Museu do Templo Mayor, e o INAH pretende reunir as seis numa exposição.
Qual foi o papel de San Miguel e Atotonilco na independência do México?
A guerra de independência do México começou na madrugada de 16 de setembro de 1810, em Dolores. Na noite anterior, Miguel Hidalgo estava com o capitão Ignacio Allende, natural de San Miguel el Grande, quando Juan Aldama chegou com a notícia de que a conspiração tinha sido descoberta. Por volta das 5h do dia 16, Hidalgo reuniu a população no átrio da paróquia de Dolores, episódio conhecido como o Grito de Independência.
Curiosidade histórica: no discurso, Hidalgo declarou lealdade a Fernando VII, rei da Espanha, então cativo na França. O material "Grandes Batallas", publicado pelo governo do México, explica que essa declaração ocultava os objetivos reais dos insurgentes, entre eles a independência política.
Dali, a tropa seguiu para San Miguel el Grande. No caminho, no santuário de Atotonilco, Hidalgo tomou uma imagem da Virgem de Guadalupe pintada a óleo, que virou o estandarte da primeira fase do movimento. Por muito tempo se disse que foi uma ideia de Hidalgo. Estudos recentes citados no mesmo material indicam que os conspiradores já tinham decidido usar a imagem e chegaram a mandar fazer bandeiras com ela.
Os insurgentes entraram em San Miguel el Grande à noite, com cerca de 5 mil homens, e a vila instalou em 1810 o primeiro Ayuntamiento insurgente do México.

San Miguel de Allende, 200 anos com o nome do herói
San Miguel foi fundada em 1542 por frei Juan de San Miguel. Segundo a UNESCO, a cidade surgiu no século XVI para proteger o Caminho Real, uma das principais rotas espanholas para o interior, e viveu o auge no século XVIII, quando muitos dos seus edifícios religiosos e civis foram construídos em barroco mexicano. As casas senhoriais são grandes e ricas para uma cidade de porte médio na América Latina, e a arquitetura vai do barroco ao neogótico do fim do século XIX.
Desde 2008, a cidade e o Santuário de Jesús Nazareno de Atotonilco, a 14 km dali, são Patrimônio Mundial. O santuário, do século XVIII, tem uma igreja grande e várias capelas decoradas com pinturas a óleo de Rodríguez Juárez e murais de Miguel Antonio Martínez de Pocasangre. Para a UNESCO, essa decoração faz do santuário uma obra-prima do barroco mexicano.

Curiosidade histórica: o nome Allende chegou em 1826. Por decreto de 8 de março daquele ano, a Villa de San Miguel el Grande foi elevada a cidade e passou a se chamar San Miguel de Allende, em homenagem a Ignacio Allende. Em 2026, o bicentenário teve sessão solene do Congresso do Estado de Guanajuato no Jardín Principal, em 11 de março. Em 21 de janeiro, a cidade já tinha lembrado os 257 anos do nascimento de Allende.

Em julho de 2026, San Miguel de Allende foi eleita a melhor cidade do mundo no World's Best Awards 2026, da Travel + Leisure, pesquisa feita com os leitores da revista. Segundo o governo de Guanajuato, é a terceira vez seguida. No mesmo top 10 estão outras duas cidades mexicanas: Oaxaca, em 5º lugar, e a Cidade do México, em 9º.

Como incluir essa história numa viagem ao México
Uma viagem pelo México histórico pode reunir as duas pontas desta história: na Cidade do México, o Centro Histórico, o Templo Mayor e Xochimilco, com Teotihuacan a cerca de 50 km; em Guanajuato, San Miguel de Allende e o Santuário de Atotonilco. A Conceito Viagens monta esse roteiro sob medida, definindo com você o tempo em cada lugar e a hospedagem.
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Créditos das imagens
Capa: Parroquia de San Miguel Arcángel, foto de Carlos Valenzuela. Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0.
Pirâmide do Sol, em Teotihuacan, foto de Daniel Case. Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 3.0.
Teocalli de la Guerra Sagrada, foto de HJPD. Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 3.0.
Catedral Metropolitana da Cidade do México, foto de ProtoplasmaKid. Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0.
Ruínas do Templo Mayor, foto de Juan Carlos Fonseca Mata. Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0.
Santuário de Atotonilco, foto de Manuel A. de Anda Gomez. Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0.
Plaza Principal e Parroquia de San Miguel de Allende, foto de Gustavo F. Solís (Fototeca Nacional do INAH). Wikimedia Commons. Licença: domínio público.
Casa de Ignacio Allende, foto de Juan Carlos Fonseca Mata. Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0.
Parroquia de San Miguel Arcángel, foto de Gabriela Lozano. Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 3.0.
Fontes
UNESCO, Protective town of San Miguel and the Sanctuary of Jesús Nazareno de Atotonilco
INAH, Boletim 316, 30/06/2025: 700 anos de México-Tenochtitlan
INAH, Boletim 84, 27/02/2026: oferendas 186, 187 e 189 do Templo Mayor
Governo Municipal de San Miguel de Allende, 11/03/2026: sessão solene pelos 200 anos como cidade
Governo Municipal de San Miguel de Allende, 04/03/2026: bicentenário da proclamação como cidade
Governo Municipal de San Miguel de Allende, 21/01/2026: homenagem a Ignacio Allende
Travel + Leisure, anúncio do World's Best Awards 2026, 07/07/2026
Governo de Guanajuato, 07/07/2026: San Miguel de Allende melhor cidade do mundo




































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